quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Coisas soltas por ai..

Frases perdidas pelo mundo. Algumas cabem até nos populares temas das últimas semanas.
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Como a elite política brasileira vive incestuosamente com ela mesma há anos, pode-se explicar os problemas do país como efeitos de uma degeneração genética.
Luís Fernando Veríssimo
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Eu amaria e respeitaria um deus que não temesse o pensamento e que me dissesse, como desafio: "Ouse pensar!"
Eu amaria e respeitaria um deus que desafiasse os homens a abandonar suas conchas para se tornarem seres alados!
Rubem Alves
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O mundo se divide entre os que acham e os que não sabem onde puseram.
Millôr Fernandes

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Deus, sexo e o carnaval!

Recife tá pegando fogo. E dessa vez não é por causa do calor.
Depois que o Ministério da Saúde divulgou que faria distribuição de camisinhas e pílula do dia seguinte no carnaval, o arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, entrou em crise. E com uma ação no Ministério Público Estadual, ontem, solicitando, 'em caráter emergencial', a suspensão da entrega do medicamento pelo sistema público de saúde. Em todas as épocas, frise, não só no carnaval.
O fundamento da ação? 'A lei de Deus, que está acima de qualquer lei humana'.
O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, declarou ontem, que a Igreja cada vez mais se afasta dos jovens com esse tipo de postura. A resposta, do outro José, foi que quem faz o mal para os jovens é quem está difundindo o mal, induzindo os jovens a praticar sexo à vontade, gastando dinheiro para eles usarem camisinha e etc, violando a lei de Deus.
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Dai eu pergunto: Alguém precisa induzir o jovem a fazer sexo?
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Bem no dia do jornalista leio um edital que me faz dar cinco estrelas para a profissão. Fazia tempo que não tinha orgulho, tava faltando essa. O edital de hoje, da Folha:
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É inapropriada a decisão do arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, de entrar com representação no Ministério Público com o objetivo de obter, através da Justiça, um veto estadual à contracepção de emergência - isto é, à distribuição da chamada pílula do dia seguinte, que o Vaticano considera abortiva. Não compete à Igreja Católica determinar políticas de saúde pública.
É claro que o prelado tem o direito de acionar o Ministério Público e o Judiciário quando bem entender e por qualquer motivo que lhe pareça bom. Reconhecer essa prerrogativa básica da cidadania, no entanto, não basta para tornar o pleito de dom José justo ou razoável.
Sacerdotes então, por razões de economia interna da igreja, obrigados a colocar-se contra o aborto e a maioria dos métodos contraceptivos. Devem tornar públicas suas posições e guiar seus fiéis. A aceitação dessas orientações pelo cidadão é uma questão de fofo privado - as pesquisas e o senso comum indicam que a grande maioria das pessoas que se declaram católicas as ignora.
O arcebispo, entretanto, extrapola as fronteiras da moral privada quando pretende impor a conduta católica a todos os pernambucanos, partilhem eles ou não dos dogmas da igreja. A sociedade já definiu, pelos canais competentes e com o auxílio da ciência, que o emprego da pílula do dia seguinte não configura aborto.
As autoridades sanitárias têm a obrigação de tentar reduzir os indíces de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e de gravidezes indesejadas. Devem para tanto, usar de todos os recursos legais à disposição, aí incluída a pílula.
Faria melhor a arquidiocese de Olinda se observasse uma valiosa lição do Evangelho: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus".

Amazônia? Onde?

Eu preciso escrever alguma coisa sobre isso?
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De tudo que li por ai o que mais chamou atenção (além da falta de árvores, claro) foi um estudo do Imazon, que concluiu que as facilidades de crédito que o Banco da Amazônia oferece para os setores de pecuária e para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar é o que mais está contribuindo para o desmatamento.
O Estado de São Paulo, do dia 26, informa que um estudo do cientista Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, indica que isso está ocorrendo porque o Pronaf empresta recursos em todo o Brasil a taxas de juros que variam de 1% a 4% ao ano, além de descontos de 40% sobre o principal para valores até R$ 12 mil. A taxa básica de juros (Selic) fixada pelo Banco Central está em 11,25% ao ano.
Além disso, o Pronaf oferece ainda bônus de 25% na taxa de juros de custeio para os pequenos agricultores que honram suas dívidas.
Esse programa já existe há 13 anos, mas advinha no governo de quem as facilidades para o acesso aos recursos aumentaram? É.
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Charge do Bntt.
Indignação minha.
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Dai o José Simão escreve na sua coluna da Folha:
E o chargista Novaes revela como o Lula vai resolver o problema do desmatamento da Amazônia: Com um implante!
O mesmo que implantou cabelo na careca do Zé Dirceu!
Vamos implantar a Amazônia!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Big Sister, a nova modalidade!

Boom! E você olha para todos os lados e vê sexo.
O que aconteceu com a castidade do mundo?


Folha de São Paulo de hoje, página F2:
'Bordel dá sexo em troca de transmissão on-line'.
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Você vai no bordel e começa pelo menu eletrônico que informa a idade, peso, nome de guerra e o idioma que cada 'sister' fala. Definido isso, o cliente assina um termo autorizando a transmissão do conteúdo do 'programa', no site. Depois escolhe o quarto entre o Alpino, decorado como o cenário de A Noviça Rebelde, ou o Iglu, com um urso polar. Em troca da exposição on-line, o sexo é grátis.
Cada movimento é gravado por mais de 50 câmeras, espalhadas por todo o ambiente. E o vídeo sai, no final, com menos de 15 minutos.
Sim, um big brother chamado de www.bigsister.net!
E você pode assinar o conteúdo ilimitado por R$80,00 mensais. Uma bagatela para ver mais de 15 mil homens que, gentilmente, voluntariaram-se desde 2005.
Achou muito? De 10 a 15 mil pessoas visitam o site diariamente.
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Ah, fica em Praga, na República Tcheca. Não se empolgue.

domingo, 20 de janeiro de 2008

O Brasil fica na África, você não sabia?

Acabei de escutar na Lumen: 54% dos brasileiros não sabem localizar o país no mapa! E desses, 10% têm curso superior!! A grande maioria acha que o Brasil fica na África. Wohoooo!!
Imagine, então, quando perguntaram onde ficava a Argentina, aquele país distante que todo mundo faz piada e critíca. Pense no povo indignado quando soube que ela é nossa vizinha do lado!
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Atividade para casa:
1. Visualize essa imagem:2. Procure esse país desconhecido, chamado Brasil, no mapa do Mundo:

Dica: Fica numa parte verde do mapa.
Outra dica: Fica na América!

Saturday night!

Ah, eu adoro o brilho, as cores e a dança de uma balada.
Estava me sentindo meio enferrujada. Fazia tempo.
Mas a Sabrina me convenceu e fomos. Vox.
É divertido observar as pessoas nesses lugares públicos.
Na verdade não tão público, 15 pilas feminino e 25 masculino. Uma grande facada.
Mas o lugar é muito bacana. Como chovia, a fila era pequena e logo entramos no pequeno cubículo da recepção. A atendente ainda perguntou se queríamos continuar. Eram 15 reais, afinal. E só de entrada, sem consumação. Lugar de burguês, mesmo. Ora, estávamos ali já.
Fomos para o bar, que fica logo em frente à entrada e tem algumas mesinhas próximas. Minha piña colada demorou alguns minutos e enquanto isso fomos abordadas por um rapaz. Todo mundo vai pra balada paquerar?
Como eu falava, as pessoas. Ah, as pessoas. Talvez o meu vestido preto fosse um dos mais compridos do local. Senti-me quase uma freira, apesar da maquiagem preta, do salto alto e da tatuagem. E olha que ficava bem acima do joelho!
Bermudinhas são o alto da estação. E decotes, muito decotes. Maiores que o meu, claro. E que o da Sabrina, igualmente de vestido preto. Não combinamos. A diferença é que a Sabrina tem uma tatuagem gigantesca que toma mais da metade das costas e a minha é uma humilde borboletinha lá no pé.
Bandos de mulheres. Na mesa da frente seis. Diversos grupinhos. Mas não vi nenhuma negra. Agora os japoneses, tomaram conta do lugar. Homens muito baixos, e olha que não sou tão alta assim.
Chegamos meia-noite. Cinderelas ao avesso - nunca pretendemos ser Cinderelas, se houver algum questionamento. E aos poucos o local foi lotando. Passamos para a outra parte da casa, dividida em dois ambientes. De um lado o bar, que virou pista de dança lá pelas duas da manhã. E a pista, do outro lado. E que música deliciosa.
Fomos nos entregando ao ritmo alucinante das batidas ritmadas. Braços, pernas, o corpo todo se movendo. Uma observação, feita pela Sabrina, é de como as pessoas são tolas. Vão para um lugar daquele em busca de companhia, de beijo, de sexo. Isso é uma conseqüência de estar ali, não o motivo de ir. Perder aquela música, logo no começo, ah!
Depois do comentário, lembro de pouca coisa. Lembro da dança frenética, de luzes, de tequila.
Seis e pouco da manhã estávamos num cachorro quente, junto com uns 30 jovens. Gente louca, de maquiagem borrada e feliz. A noite foi ótima.
No Vox, quando saímos, ficaram poucas pessoas. Alguns rapazes solitários e uns dois casais, dançando uma música imaginária, provocativa e sensual. Respondendo a pergunta, sim, as pessoas vão paquerar. Todo mundo quer, no final das contas, sexo.
E de tudo isso, o que me deixou mais feliz foi quando pediram minha identidade na porta do Vox. Yes, ainda sou uma garotinha. Vamos aproveitar!
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The kiss é uma tela pop art do Gerald Laing e mostra Amy Winehouse, a cantora londrina de 24 anos, e seu marido Blake Fielder-Civil. Sei lá, acho que a loucura dela combina com um sábado à noite. Rehab, por exemplo, foi a primeira música que escutei no Vox.

sábado, 19 de janeiro de 2008

O Bêbado e a Equilibrista.

A ditadura militar é um dos períodos mais fascinantes da história, em minha opinião. Tudo da época é vibrante, talvez pela alta carga emocional das músicas, das reportagens, dos personagens.
Entre 1964 e 1985 o país presenciou uma linhagem fina, perfeita, de produção cultural. As letras de protesto eram minuciosamente pensadas e executadas de forma branda, devido à censura. O protesto era esse, através da música.
Os Festivais de Música Brasileira lançaram diversos artistas, como Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
O Bêbado e a Equilibrista é dessa época. Uma parceria entre Aldir Blanc e João Bosco, interpretada por Elis Regina.
Em 1972, o show em homenagem ao sesquicentenário da independência, organizado pelos militares, teve a participação de Elis. Isso a levou ao ‘cemitério dos morto-vivos’, seção de quadrinhos no Pasquim, do cartunista Henfil.
A seção promovia o enterro de personalidades que de alguma forma aderiam ao regime. Junto com Elis, foram enterrados Clarice Lispector, Drummond de Andrade e alguns atores, como Tarcísio Meira, Glória Menezes e Marília Pêra.

Alguns anos mais tarde, Elis e Henfil tornaram-se grandes amigos, e ela aderiu à campanha pela anistia, representada pela interpretação de O Bêbado e a Equilibrista.


Caía a tarde feito um viaduto (1)
E um bêbado (2) trajando luto (3) me lembrou Carlitos (4)
A lua (5) tal qual a dona do bordel (6)
Pedia a cada estrela fria (7) um brilho de aluguel (8)
E nuvens (9) lá no mata-borrão (10) do céu (11)
Chupavam manchas (12) torturadas (13), que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil (14)
Pra noite do Brasil (15), meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil (16)
Com tanta gente que partiu (17) num rabo-de-foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses (18) no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A esperança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista (19)
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar

(1) O viaduto da Gameleira, em BH. Obra do governo que desabou sobre carros e ônibus, matando muita gente, porém nada foi noticiado e ninguém foi indenizado.
(2) O bêbado representa os artistas, poetas, músicos e ‘loucos’ em geral, que embriagados de liberdade ousavam levantar suas vozes contra a ditadura.
(3) Referência aos militantes de esquerda que ‘sumiram’.
(4) Charles Chaplin.
(5) A lua representa os políticos civis que se colocaram a favor do regime, a fim de obter ganhos pessoais. Eles "acreditavam" tanto na propaganda oficial que se dizia que se um general declarasse que a lua era preta eles passariam a defender tal tese como verdade absoluta. Em determinada época foram até chamados de luas-pretas.
(6) A Câmara de Deputados e o Senado foram algumas vezes comparados a bordéis devido aos negócios imorais que lá se faziam. É claro que os cidadãos indignados não podiam dizer claramente que pensavam isto, ou seriam no mínimo processados por calúnia, injúria, difamação e etc.
(7) As estrelas são os generais, donos do poder. Alguns deles nunca apareceram como governantes, preferindo manipular nos bastidores. Se contentavam com uns poucos privilégios astronômicos e umas ninharias de cargos de direção em estatais ou o poder de nomear umas poucas dezenas de parentes e correligionários em empregos públicos.
(8) O brilho de aluguel era, como mencionado acima, os ganhos pessoais e até eleitorais obtidos pelos civis que aceitavam ser marionetes. Alguns destes civis cresceram tanto que ultrapassaram em poder os seus "criadores" fardados.
(9) Os torturadores são aqui comparados a nuvens, pois eram intocáveis e inalcançáveis.
(10) O mata-borrão é um instrumento antiquado destinado a eliminar erros, borrões na escrita. O DOI-CODI, nossa temível polícia política da época era o mata-borrão do regime.
(11) As prisões eram inalcançáveis ao cidadão comum, inacessíveis, por isso a comparação com o céu.
(12) Os rebeldes são comparados a manchas, ou seja um erro na escrita, uma coisa fora da ordem, uma indisciplina.
(13) Referência à tortura aplicada aos militantes de esquerda, que ocorria às escondidas. O regime jamais admitiu que torturava pessoas, porém nunca houve punições aos casos que conseguiam alguma divulgação, apesar da censura à imprensa.
(14) Os artistas nunca se calaram. Essa música é uma das irreverências.
(15) Um tema recorrente nas músicas da época. A volta das liberdades políticas é comparada ao amanhecer, bem como a ditadura é comparada à noite.
(16) O Henfil (Henrique Filho) era um afiadíssimo cartunista político muito visado pelo regime, bem como seu irmão o Betinho, que no governo Fernando Henrique organizou o programa de combate à fome. Os dois eram hemofílicos e morreram de Aids.
(17) Referência aos exilados políticos.
(18) Maria é a esposa do operário Manuel Fiel Filho morto sob tortura nos porões do DOI-CODI (SP) em janeiro de 1976 e Clarice é a esposa do jornalista Wladimir Herzog, também morto sob tortura, no DOI-CODI (SP) em outubro de 1975.
(19) A equilibrista era a esperança de democracia, um projeto de abertura política gradual, que a cada "eleição", a cada evento que incomodava os militares, tinha sua existência ameaçada.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Propaganda eleitoral gratuita!

Olha, ele não é um cara bonito, tão pouco legalzinho.
É manco, caolho e usa um boné encardido.
Mas o livro é bom (é isso que importa né?).

Ah, é brincadeirinha a parte do legalzinho. Ele é gente boa, até deixa eu furtar umas charges pra colocar aqui!! =)

Então, tem na Fnac. E pelo e-mail benett74@uol.com.br.

http://benett-o-matic.blogger.com.br